Perante uma ausência tão prolongada do meu blog, e porque não é meu hábito contar aqui a minha vida, queria só dizer por carinho às pessoas que aqui têm vindo que não consegui, não tive forças, tive de me render a um certo estado "comatoso" perante a evidência de que não somos nada, não temos nada, não podemos nada.
Para a história, o que e gostava de contar - o que é sempre estranho num blog que é suposto falar de moda e, por isso, de "coisas" - é a experiência de nos deitarem numa mesa cirúrgica com indicação expressa de que temos de ir "sem nada nosso". Nada. O nosso corpo sem nada. E, apesar de a cirurgia não ser urgente, ter estado em "lista de espera", não ter risco especial, a ideia de que podemos ali ficar, simplesmente como viemos ao mundo: "sem nada". E uma coisa é contar isto. Outra é vivê-lo. A aliança que anda no dedo há mais de um quarto de século, o fio do pescoço com o escapulário do Carmo e o crucifixo que uso não me lembro desde quanto e que nunca tiro. Ficou tudo para trás. Com uma imensa serenidade e uma paz inexplicável, sem dramatismos de espécie nenhuma, foi quase uma antecipação do que se irá passar um dia. Com nada viemos e com nada havemos de ir.
Esta experiência e a surpresa de um dos hospitais que será seguramente um dos melhores do mundo, em todos os aspectos (e refiro-me aos aspectos críticos, não aos apêndices de "instalações" e "hotelaria"), com profissionais (todos) de primeira linha (em todos os sentidos), no coração de Lisboa, na Rua de Santa Marta, em que vi funcionar em pleno o sentido humano da vida, no seu significado mais profundo.
Não há palavras para agradecer. Cada vez me convenço mais que a recompensa na vida eterna é uma questão de justiça.
Agora estou ... em recuperação. Como me parece que estive sempre na minha vida. Mas agora num sentido mais literal.

oh, que se passou?
ResponderEliminarque texto tão bonito!
As melhoras, e tudo a correr bem. Um grande beijinho
ResponderEliminarObrigada. Muito obrigada mesmo. E muitos beijinhos com saudades.
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